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O meu bebé não quer comer. E agora?
O meu bebé não quer comer. E agora?

por 

Carolina

O meu bebé não quer comer. E agora?
Este artigo aborda o tema de bebés que comiam bem e de repente começam a comer mal ou rejeitar determinados alimentos.
Introdução alimentar
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É muito comum pais e cuidadores relatarem que o seu bebé comia bem e, de repente, começou a comer menos, a rejeitar refeições ou a cuspir a comida. Esta mudança costuma gerar preocupação, frustração e muitas dúvidas — sobretudo quando acontece de um dia para o outro.


Antes de mais, é importante esclarecer algo fundamental:

  • Este artigo aborda bebés (até cerca dos 2 anos) com recusa alimentar transitória ou diminuição do apetite.

  • Não estamos a falar de seletividade alimentar, que surge mais tarde e envolve padrões persistentes de recusa.


Na maioria dos casos, estas fases são normais, esperadas e passageiras.


Antes de tudo: tente perceber o que pode estar por trás da recusa

Antes de tirar conclusões, vale a pena refletir sobre alguns fatores comuns que influenciam o apetite dos bebés:

  • Estão a nascer dentes?

  • O bebé está doente ou a ficar doente?

  • Houve alguma alteração na rotina (horários, creche, sono)?

  • O bebé passou a mamar mais leite (materno ou fórmula)?

  • Está na fase inicial da introdução alimentar e ainda não demonstra grande interesse em comer?

  • Está a consumir muitos snacks entre refeições ou a chegar à mesa sem fome?

  • As refeições estão a acontecer muito tarde, com o bebé cansado?

Se suspeitar que o seu bebé está doente ou se tiver dúvidas, deve sempre contactar a/o pediatra.


A variação do apetite é normal nos bebés

A introdução alimentar é feita de altos e baixos. O apetite dos bebés não é constante e pode variar bastante de dia para dia.


Muitos pais notam uma mudança mais evidente entre os 12 e os 24 meses, quando bebés que comiam bem passam a:

  • rejeitar alimentos

  • comer quantidades menores

  • cuspir comida

  • perder interesse pelas refeições


Isto acontece porque, nesta fase, o bebé:

  • desenvolve mais autonomia

  • quer explorar o mundo

  • tem menos paciência para estar sentado

  • começa a formar preferências

  • pode estar a lidar com dentes, picos de crescimento ou alterações no sono


Tudo isto pode tornar as refeições mais desafiantes — e isso não significa que algo esteja errado.


Comer em família e sem distrações faz diferença

Sempre que possível, as refeições devem ser feitas em família, porque os bebés aprendem muito por observação.


Alguns pontos importantes:

  • evitar televisão ligada

  • evitar telemóveis à mesa

  • evitar brinquedos ou distrações durante a refeição


É difícil, sabemos. Mas pequenas mudanças consistentes fazem diferença ao longo do tempo.


A nossa experiência (vida real)

Cá em casa tenho dois filhos muito diferentes.

O Duarte sempre comeu bem desde os 6 meses e manteve um apetite relativamente estável. A Madalena, por outro lado, comia de tudo e, por volta dos 15 meses, entrou na fase de cuspir a comida, arrancar babetes e começar a rejeitar alimentos como curgete, brócolos, tomate, cogumelos e papaia.


Com o tempo, passou até a recusar alimentos que gostava. Comia feijão ao almoço, mas já não lhe interessava ao jantar. Foi preciso paciência, respiração fundo e consistência, lembrando sempre que:

não é pessoal — não é a comida, nem quem a preparou.


O que realmente ajuda (e vamos explicar ponto a ponto)

Os princípios-base para lidar com esta fase são:

  • criar contexto antes de mudar estratégias

  • expor o bebé aos alimentos

  • nunca desistir de oferecer um alimento

  • garantir variedade

  • flexibilizar o local da refeição, quando necessário

  • adiar açúcar e ultra-processados

  • promover autonomia

  • usar “alimentos escondidos” com equilíbrio


Antes de começar: duas ideias-chave

  1. O bebé adapta-se à rotina da família, não o contrário
    Se a família come sopa antes do prato principal, não há problema em oferecer sopa ao bebé e depois os alimentos cortados.

  2.  Criatividade ajuda
    Se o bebé come couve-flor a achar que são “flores”, então são flores.
    Se o húmus “cor-de-rosa” (beterraba) é mais apelativo, ótimo. O objetivo é criar uma relação positiva com a comida.


Expor o bebé aos alimentos (muito para além do prato)

A exposição alimentar não acontece apenas à mesa.

Algumas formas eficazes de exposição:

  • levar o bebé ao supermercado

  • deixar tocar, cheirar e observar frutas e vegetais

  • cozinhar com o bebé (uma torre de aprendizagem ajuda muito)

  • nomear os alimentos

  • usar livros, jogos e brincadeiras

  • ter uma pequena horta ou vasos na varanda

Quanto mais familiar um alimento é, menor a probabilidade de rejeição.


Nunca desistir de oferecer um alimento

Este é talvez o ponto mais importante.

Quando um bebé recusa um alimento várias vezes, a tendência é deixarmos de o oferecer. Mas isso aumenta a probabilidade de rejeição permanente.

A estratégia não é insistir, mas continuar a expor:

  • oferecer pequenas quantidades

  • variar a forma de preparação

  • dar tempo

Tal como os adultos, também os bebés podem gostar de um alimento de uma forma e não de outra.


Oferecer variedade (sem exageros)

Até aos 2 anos, é especialmente importante expor o bebé a uma grande variedade de alimentos naturais, evitando açúcar, mel e ultra-processados.

Uma refeição equilibrada pode incluir:

  • 1–2 vegetais/verduras

  • hidratos de carbono

  • leguminosas

  • proteína

Os bebés comem pouco, por isso não é preciso oferecer tudo ao mesmo tempo — mas é importante repetir exposições ao longo do tempo.


Comer fora da mesa também pode ser uma solução temporária

Entre os 18 meses e os 2 anos, muitos bebés não toleram ficar muito tempo sentados.

Forçar só aumenta o stress.

Algumas estratégias:

  • ajustar horários

  • reduzir snacks antes da refeição

  • oferecer a refeição mais cedo

Em algumas fases, comer fora da mesa (por exemplo, no chão, com um adulto presente e sentado) pode funcionar melhor sem transformar a refeição numa perseguição.


Adiar açúcar e ultra-processados é essencial

Os bebés nascem com paladar neutro e grande curiosidade alimentar. Introduzir açúcar cedo “vicia” o paladar e dificulta a aceitação de alimentos naturais.

Muitos produtos industrializados para bebés contêm açúcar, por isso:

  • ler rótulos é essencial

  • privilegiar alimentos na sua forma natural


Na app Comida de Bebé existe um scanner de produtos de supermercado, que diz na hora se o produto é ou não baby approved e que ajuda muito nesta fase. Saiba mais aqui.


Dar autonomia ao bebé

Dar autonomia aumenta o interesse e a participação na refeição.

Algumas ideias:

  • permitir que coma com as mãos

  • oferecer talheres apropriados

  • usar copo aberto desde cedo

  • permitir que explore a comida

Mesmo fora do BLW, a autonomia pode (e deve) ser promovida.


Esconder alimentos: sim, mas com equilíbrio

Esconder vegetais em receitas pode ajudar a aumentar a ingestão nutricional, mas não deve ser a única estratégia.

É importante continuar a oferecer os alimentos no seu formato natural para que o bebé:

  • os conheça

  • os prove

  • decida se gosta ou não

Uma boa estratégia é combinar:

  • alimento “escondido” na receita

  • alimento visível no prato


Em resumo

Fases de menor apetite e recusa alimentar são comuns nos bebés e fazem parte do desenvolvimento. O mais importante é:

  • manter a oferta

  • reduzir a pressão

  • confiar no processo


Se o seu bebé tem menos de 2 anos e a recusa é recente ou intermitente, é muito provável que seja apenas uma fase.


Se a recusa persistir após os 2 anos, envolver muitos alimentos ou grupos alimentares inteiros, vale a pena ler também:

Seletividade alimentar na infância: o que é e o que evitar

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