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Sopa não substitui vegetais no prato: o que a ciência diz sobre oferecer legumes a bebés e crianças
Sopa não substitui vegetais no prato: o que a ciência diz sobre oferecer legumes a bebés e crianças

por 

Carolina

Sopa não substitui vegetais no prato: o que a ciência diz sobre oferecer legumes a bebés e crianças
A sopa é ótima, mas não substitui vegetais no prato. Descubre o que dizem os estudos científicos sobre oferecer legumes a bebés e crianças.
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Publiquei uma fotografia de um prato servido numa escola: uma montanha de arroz, um rissol solitário. Zero vegetais. Proteína insuficiente. A reação? O oposto do que esperava. Choveram críticas — não ao prato, mas a mim. "A comida nos refeitórios é ótima." "Estás a exagerar." "Eu estou a ver sopa, logo legumes."


Este último comentário merece uma conversa séria. Porque resume uma das crenças mais enraizadas na cultura alimentar portuguesa — e, infelizmente, uma das que mais prejudica a relação das crianças com os vegetais.


"Se não for em sopa, não comem legumes"

Vamos falar sobre esta frase com honestidade. Quando alguém diz "se não for em sopa, não comem legumes", está a descrever um problema real — muitas crianças, de facto, recusam vegetais no prato. Mas está também, sem querer, a justificar que não se ofereçam vegetais fora da sopa. E é aqui que entramos num ciclo vicioso muito bem documentado pela investigação científica:


A criança não come vegetais → não colocamos vegetais no prato → a criança não vê vegetais → a criança não come vegetais.


Este ciclo não se quebra sozinho. Quebra-se com exposição. Consistente, paciente e informada.


A exposição visual conta — mesmo que a criança não coma

Um dos achados mais consistentes da investigação em alimentação infantil é o poder da exposição repetida. E não estamos a falar apenas de a criança provar o alimento — até a simples exposição visual já faz diferença.


Um estudo publicado na revista Appetite colocou fotografias de vegetais nos tabuleiros de uma cantina escolar durante quatro semanas. O resultado? As crianças de 3 a 6 anos aumentaram significativamente o consumo de vegetais — não só dos que estavam representados nas imagens, mas também de outros vegetais que nem sequer faziam parte da intervenção (Rioux, Lafraire & Picard, 2018).


Outro estudo, da Universidade de Reading (Reino Unido), mostrou que a exposição visual repetida através de livros digitais sobre vegetais aumentou a disposição das crianças para provar e comer o vegetal-alvo — resultados publicados na Appetite em 2023 (Houston-Price et al.).


Uma intervenção da Universidade de Reading com crianças de 3 a 4 anos foi ainda mais longe: testou o efeito de envolver diferentes sentidos — ver, cheirar e tocar vegetais — e concluiu que quanto mais sentidos eram envolvidos, maior era a aceitação. O efeito era linear e significativo (Nekitsing et al., 2021, publicado na Appetite).


O que é que isto nos diz? Que cada vez que servimos um prato com vegetais visíveis — mesmo que a criança não os coma nesse dia — estamos a investir na sua familiarização. Estamos a plantar uma semente (literalmente). E que cada prato sem vegetais é uma oportunidade desperdiçada.


Quantas vezes é preciso oferecer? Muito mais do que pensamos

Um dos estudos mais citados nesta área é o de Carruth e colegas (2004), publicado no Journal of the American Dietetic Association. Numa amostra nacional de 3.022 crianças dos 4 aos 24 meses nos Estados Unidos, os investigadores descobriram que o número máximo de vezes que os cuidadores ofereciam um alimento novo antes de concluírem que a criança não gostava era de 3 a 5 tentativas.


Mas os próprios autores do estudo sublinharam que, para aumentar a aceitação, seriam necessárias 8 a 15 exposições. Ou seja: a maioria dos adultos — pais, educadores, cozinheiros de refeitórios — desiste precisamente no ponto em que a ciência diz que deviam continuar.


O que dizem os estudos científicos

Quando falamos de ciência robusta, falamos de meta-análises e revisões sistemáticas — estudos que agregam dezenas de investigações e milhares de crianças. E as conclusões são consistentes:

Uma meta-análise de 30 estudos com 4.017 crianças em idade pré-escolar (Nekitsing et al., 2018, publicada na Appetite) concluiu que a exposição repetida ao sabor dos vegetais foi a estratégia com melhores resultados para aumentar o consumo. O efeito era maior quando os vegetais eram servidos simples — sem molhos, dips ou adição de energia. E o consumo aumentava com o número de exposições. Os autores recomendaram um mínimo de 8 a 10 exposições.


Outra meta-análise que analisou 43 artigos (Appleton et al., 2018, publicada no American Journal of Clinical Nutrition) encontrou um efeito positivo significativo da exposição repetida tanto na aceitação como no consumo de vegetais, com dados de centenas de comparações e milhares de participantes.


Uma revisão sistemática do NCBI que reuniu 21 estudos e mais de 1.100 crianças entre os 4 e os 24 meses concluiu algo fundamental: em nenhum dos estudos a exposição repetida resultou numa diminuição da aceitação de frutas ou vegetais. Ou seja, oferecer repetidamente nunca piora as coisas — só pode melhorar ou manter.


E num ensaio clínico randomizado com 442 crianças de 3 anos (Fildes et al., 2014, publicado no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics), 14 dias de exposição a um vegetal rejeitado — com uma pequena recompensa (um autocolante) — aumentaram significativamente tanto a aceitação como o consumo. E os materiais eram simplesmente enviados por correio aos pais, sem necessidade de contacto com profissionais.


Porque é que a sopa não substitui os vegetais no prato

Quero ser clara: a sopa é um excelente alimento. Faz parte da tradição alimentar portuguesa e pode ser uma fonte valiosa de nutrientes. Mas dizer que "a criança come sopa, logo come vegetais" é uma simplificação que ignora vários aspectos fundamentais da nutrição e do desenvolvimento infantil.


1. Na sopa, o vegetal é invisível

Quando o vegetal está triturado dentro da sopa, a criança não o vê, não o reconhece e não aprende a identificá-lo como alimento. Toda a investigação sobre exposição visual — que acabámos de ver — depende de a criança ver o alimento. Um bróculo dentro de uma sopa passada não é um bróculo para o cérebro de uma criança. É simplesmente "sopa".


2. Mastigar vegetais treina competências que a sopa não desenvolve

O grande estudo longitudinal ALSPAC, que acompanhou mais de 7.800 crianças no Reino Unido, demonstrou que crianças que foram introduzidas a alimentos com textura mais complexa após os 9 meses tiveram mais dificuldades alimentares e consumiam menos frutas e vegetais aos 7 anos de idade (Coulthard, Harris & Emmett, 2009, publicado na Maternal & Child Nutrition).

Investigação publicada na Critical Reviews in Food Science and Technology confirma que mastigar alimentos com diferentes texturas estimula a atividade mastigatória, melhora a coordenação muscular oral, contribui para o desenvolvimento do palato e apoia a erupção e alinhamento dentário (Tournier & Forde, 2022). Ou seja: comer vegetais em pedaços treina competências oromotoras que a sopa passada simplesmente não treina.


3. A experiência sensorial é diferente

Um vegetal inteiro — com cor, forma, textura e sabor identificáveis — oferece uma experiência sensorial completa. A criança aprende a reconhecer o alimento, a associar a sua aparência ao seu sabor, a desenvolver preferências informadas. Na sopa, tudo isto se perde. O vegetal perde a sua identidade.


As preferências da infância definem o futuro

Talvez o argumento mais poderoso para justificar o esforço de oferecer vegetais visíveis, consistentemente, desde cedo, venha dos estudos longitudinais.


Um estudo prospetivo conduzido por Sophie Nicklaus e colegas (2004), publicado na Food Quality and Preference, acompanhou crianças desde os 2-3 anos até à idade adulta (17-22 anos) e concluiu que as preferências alimentares individuais se mantinham altamente consistentes ao longo do tempo — com uma associação particularmente forte para vegetais e queijos.


Um estudo de seguimento de Maier-Nöth e colegas (2016), publicado na PLOS ONE, mostrou que um vegetal que foi aceite através de exposição repetida aos 5 meses de idade ainda era consumido por 57% das crianças aos 6 anos — mais de 5 anos depois da intervenção.


E uma revisão publicada no Nutrition Bulletin (Chambers, 2016) concluiu que a variedade de frutas consumidas por crianças de 6-8 anos estava positivamente associada à exposição durante os primeiros 2 anos de vida.


O que decidimos pôr — ou não pôr — no prato das crianças hoje molda literalmente o que vão comer e gostar daqui a 10, 15, 20 anos.


Não é sobre forçar. É sobre oferecer.

Quero terminar com uma nota importante, porque sei que este tema gera muita culpa e muita pressão nos pais e educadores.


A investigação é igualmente clara sobre o que não funciona: pressionar, forçar, chantagear ("se não comeres os brócolos, não há sobremesa") são estratégias que, consistentemente, pioram a relação da criança com os alimentos. Investigação publicada no Journal of Pediatrics mostra que práticas parentais controladoras estão associadas a menor consumo de frutas e vegetais.


O que funciona é muito mais simples — e mais difícil ao mesmo tempo:

  • Oferecer vegetais no prato, consistentemente, sem expectativa de que sejam comidos

  • Não desistir ao fim de 3 tentativas — a ciência diz que pode demorar 8 a 15

  • Variar a forma de apresentação (crus, cozidos, assados, em formas diferentes)

  • Modelar — comer vegetais à frente da criança é uma das estratégias mais poderosas

  • Não esconder os vegetais sistematicamente na sopa — isso não constrói familiaridade


A sopa é ótima. Mas não substitui a presença de vegetais no prato.


Dizer "eles não comem" é compreensível. Mas usá-lo como desculpa para não oferecer é perpetuar o ciclo que mantém as crianças afastadas destes alimentos.


Cada prato sem vegetais visíveis é uma oportunidade perdida. E cada oportunidade perdida afasta a criança de construir uma relação saudável com os alimentos que mais precisa de aprender a gostar.


Referências científicas

  • Appleton, K.M. et al. (2018). Repeated exposure and conditioning strategies for increasing vegetable liking and intake: systematic review and meta-analyses. American Journal of Clinical Nutrition, 108(4), 842-856.

  • Carruth, B.R. et al. (2004). Prevalence of picky eaters among infants and toddlers and their caregivers' decisions about offering a new food. Journal of the American Dietetic Association, 104(1), S57-S64.

  • Chambers, L. (2016). Complementary feeding: Vegetables first, frequently and in variety. Nutrition Bulletin, 41(2), 142-155.

  • Coulthard, H., Harris, G. & Emmett, P. (2009). Delayed introduction of lumpy foods to children during the complementary feeding period affects child's food acceptance and feeding at 7 years of age. Maternal & Child Nutrition, 5(1), 75-85.

  • Fildes, A. et al. (2014). Parent-administered exposure to increase children's vegetable acceptance: A randomized controlled trial. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, 114(6), 881-888.

  • Houston-Price, C. et al. (2023). See and Eat! The impact of repeated exposure to vegetable ebooks on young children's vegetable acceptance. Appetite, 181, 106407.

  • Maier-Nöth, A. et al. (2016). The lasting influences of early food-related variety experience: a longitudinal study of vegetable acceptance from 5 months to 6 years. PLOS ONE, 11(3), e0151356.

  • Nekitsing, C. et al. (2018). Systematic review and meta-analysis of strategies to increase vegetable consumption in preschool children aged 2-5 years. Appetite, 127, 138-154.

  • Nekitsing, C. et al. (2021). VeggieSense: A non-taste multisensory exposure technique for increasing vegetable acceptance in young children. Appetite, 167, 105604.

  • Nicklaus, S. et al. (2004). A prospective study of food preferences in childhood. Food Quality and Preference, 15(7-8), 805-818.

  • Rioux, C., Lafraire, J. & Picard, D. (2018). Visual exposure and categorization performance positively influence 3- to 6-year-old children's willingness to taste unfamiliar vegetables. Appetite, 120, 32-42.

  • Tournier, C. & Forde, C.G. (2022). Food oral processing and eating behavior from infancy to childhood. Critical Reviews in Food Science and Technology.

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