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Seletividade alimentar na infância: o que é, porque acontece e o que evitarSeletividade alimentar na infância: o que é, porque acontece e o que evitar
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Seletividade alimentar na infância: o que é, porque acontece e o que evitar
Seletividade alimentar na infância: o que é, porque acontece e o que evitar

por 

Carolina

Seletividade alimentar na infância: o que é, porque acontece e o que evitar
Seletividade alimentar infantil: o que é, porque acontece e 6 comportamentos que podem reforçar a recusa alimentar. Guia prático para pais.
Depois dos 12 meses
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seletividade alimentar é uma preocupação frequente entre pais e cuidadores, sobretudo quando a criança passa a rejeitar muitos alimentos, recusa experimentar novidades ou aceita apenas um número muito limitado de opções.


Antes de mais, é essencial clarificar:

Este artigo aborda seletividade alimentar em crianças, geralmente a partir dos 2 anos.
Não se refere a fases transitórias de menor apetite em bebés, que são comuns antes desta idade.


Embora a seletividade alimentar seja, na maioria dos casos, uma fase do desenvolvimento, existem comportamentos que merecem atenção e uma abordagem cuidada.


O que é a seletividade alimentar?

A seletividade alimentar pode manifestar-se de diferentes formas e intensidades. Alguns dos comportamentos mais comuns incluem:

  • evitar certos alimentos ou grupos alimentares inteiros

  • recusar experimentar alimentos novos (neofobia alimentar)

  • sensibilidade sensorial marcada (recusa baseada na textura, cheiro, cor ou temperatura)

  • exigir que os alimentos sejam preparados ou apresentados sempre da mesma forma

  • pouco interesse em comer, comer muito devagar ou em pequenas quantidades


Estudos mostram que crianças seletivas consomem menos vegetais do que crianças mais abertas à experimentação alimentar, o que pode comprometer a variedade nutricional da dieta.


Quando surge a seletividade alimentar?

A seletividade alimentar surge mais frequentemente a partir dos 2 anos, coincidindo com uma fase importante do desenvolvimento infantil:

  • aumento da autonomia

  • afirmação da identidade (“eu decido”)

  • maior capacidade de dizer “não”

  • desenvolvimento de preferências

Nesta fase, a criança passa a ter opiniões fortes sobre o que está no prato — e a comida torna-se um dos principais palcos dessa autonomia.


Antes dos 2 anos, a maioria das recusas alimentares é transitória e está mais relacionada com desenvolvimento, rotina, dentes ou doença. Esses casos são abordados no artigo:
O meu bebé não quer comer. E agora?


A seletividade alimentar afeta o crescimento?

A boa notícia é que a maioria dos estudos não encontra evidência consistente de impacto negativo no crescimento a longo prazo, desde que a criança:

  • tenha acesso regular a comida

  • viva num ambiente alimentar estruturado

  • não tenha patologias associadas


Uma criança saudável com comida disponível não se deixa morrer à fome.
O papel dos adultos é garantir oferta adequada e ambiente seguro — não controlar a ingestão.


Atenção: nem toda a seletividade é “normal”

Este artigo é informativo e aplica-se à maioria das crianças.
No entanto, existem situações que exigem avaliação profissional.


Procure apoio especializado (terapeuta da fala, terapeuta ocupacional ou equipa multidisciplinar) se a criança:

  • rejeita grupos alimentares inteiros de forma persistente

  • aceita menos de 20 alimentos diferentes

  • recusa consistentemente alimentos sólidos

  • apresenta elevada ansiedade à mesa

  • baseia a alimentação sobretudo em produtos ultra-processados


A recusa alimentar também pode agravar-se temporariamente durante:

  • doenças

  • picos de crescimento

  • alterações de rotina

Se houver suspeita de doença, deve sempre consultar a/o pediatra.


6 comportamentos parentais que podem reforçar a seletividade alimentar


1. Deixar de oferecer um alimento porque a criança o recusou

Quando um alimento desaparece do prato, a criança perde familiaridade com ele — e a rejeição tende a aumentar.

O alimento deve continuar a ser oferecido:

  • em pequenas quantidades

  • sem pressão

  • de forma regular


A simples presença no prato já conta como exposição.

Evite também chamar demasiada atenção ao alimento rejeitado. Comentários insistentes aumentam o foco e a resistência.


2. Forçar, insistir ou recompensar para comer

Pressão à mesa está associada a maior seletividade alimentar.

Inclui:

  • forçar a comer

  • negociar “mais uma colher”

  • elogiar excessivamente quando come

  • usar comida como recompensa ou suborno


A curto prazo pode parecer resultar, mas a médio e longo prazo prejudica a relação da criança com a comida.


3. Preparar refeições alternativas à parte

Quando a criança aprende que recusar resulta numa refeição diferente, a seletividade é reforçada.


Não é necessário cozinhar algo especial.
Uma criança com acesso a comida vai comer quando tiver fome.


O ideal é:

  • servir a mesma refeição para todos

  • incluir pelo menos um alimento que a criança aceite

  • permitir que escolha o que comer dentro do que está disponível


4. Limitar a variedade de sabores, cores e texturas

As crianças nascem com preferência pelo sabor doce e menor aceitação de sabores amargos e ácidos, comuns em muitos vegetais.


Se a oferta alimentar se limita sempre aos mesmos alimentos “seguros”, torna-se mais difícil aceitar novidades.


A variedade deve incluir:

  • diferentes cores

  • diferentes texturas

  • sabores menos óbvios


Variar apenas dentro de pratos triturados não é suficiente — os alimentos devem ser apresentados individualmente.


5. Não incluir alimentos de segurança no prato

Alimentos de segurança são aqueles que a criança aceita quase sempre.


Quando existe seletividade, não se muda tudo de uma vez.
Novos alimentos devem ser introduzidos ao lado de alimentos de segurança, para evitar que a criança recuse a refeição inteira.


O alimento de segurança pode ser simples (arroz, massa) e, em situações mais complexas, até menos nutritivo. O objetivo é manter a criança à mesa, não vencer a refeição.


6. Não envolver a criança no processo alimentar

A relação com a comida começa muito antes de comer.

Envolver a criança em:

  • ir ao supermercado

  • escolher frutas e legumes

  • cozinhar

  • medir, misturar, lavar alimentos

Aumenta a curiosidade, a familiaridade e a aceitação.


Com uma torre de aprendizagem, este envolvimento pode começar cedo e ter impacto positivo duradouro.


Em resumo

A seletividade alimentar é comum, sobretudo a partir dos 2 anos, e na maioria dos casos faz parte do desenvolvimento infantil.

O foco deve estar em:

  • reduzir pressão

  • aumentar exposição

  • garantir variedade

  • criar um ambiente alimentar seguro e previsível


Se a recusa alimentar for recente, intermitente e ocorrer em bebés, leia também:
O meu bebé não quer comer. E agora?


Se for persistente, envolver muitos alimentos ou causar grande impacto familiar, procure apoio especializado. Duas recomendações de clínicas: Pangolim na Zona Norte e Destrava Línguas na zona da Grande Lisboa.


Fontes científicas

Tinu Mary Samuel et al. A Narrative Review of Childhood Picky Eating and Its Relationship to Food Intakes, Nutritional Status, and Growth. Nutrients, 2018.

Pauline M. Emmett et al. Antecedents of picky eating behaviour in young children. Appetite, 2018.

Carruth BR, Skinner JD. Revisiting the picky eater phenomenon. Journal of the American College of Nutrition, 2000.

Ziyi Li et al. Perceptions of food intake and weight status among parents of picky eating infants and toddlers. Appetite, 2017.

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