Carrinho de compras
o seu carrinho está vazio
Continuar a comprar


por
Carolina
A seletividade alimentar é um comportamento muito comum em bebés e crianças. Comiam de tudo e, de repente, começam a rejeitar determinados alimentos — alguns que já comiam bem, outros só porque são diferentes ou novos. Este último caso tem até nome próprio: neofobia alimentar.
Se o seu filho de repente vira a cara à comida, este artigo explica porque acontece, quando é preciso ter atenção e o que pode fazer, na prática, para que seja apenas uma fase e não um hábito que se instala.
À medida que os bebés e as crianças desenvolvem mais autonomia, começam a preferir comer sozinhos e a ter sentimentos fortes sobre o que está no prato. É uma fase normal do desenvolvimento, não um sinal de que algo está errado.
Cá em casa, foram os verdes e a novidade. Tivemos um episódio de seletividade alimentar por volta dos 17 meses e outro aos 26 meses. Depois de fazer 2 anos, a minha filha simplesmente não comia nenhum verde no segundo prato — embora comesse sem problema o mesmo vegetal dentro da sopa. Se o segundo prato tivesse alimentos novos a mais, era capaz de rejeitar tudo e não comer nada do que estava no prato.
Sei que parece frustrante, mas os bebés e as crianças vão recusar comer — algumas ou muitas vezes — ao longo da vida deles. É um comportamento normal.

A boa notícia é que sim, há boas notícias. Estudos não encontraram evidências consistentes de que a seletividade alimentar afete o crescimento da criança a longo prazo. Uma criança com comida disponível em casa não vai passar fome por atravessar uma fase mais seletiva.
O risco não está na fase em si, mas no que os pais fazem a seguir. Quando o bebé ou a criança deixa de comer consistentemente um alimento, é frequente os pais deixarem, eventualmente, de o oferecer. E aí cria-se o cenário perfeito para o problema se instalar: sem o alimento à mesa, a criança deixa de estar familiarizada com ele — e torna-se ainda mais difícil voltar a aceitá-lo mais tarde.
A pergunta certa não é "como faço o meu filho comer isto hoje", mas sim "como evito que isto se torne permanente". Aqui ficam as dicas que uso e recomendo.
É fundamental continuar a oferecer o alimento para o bebé se manter familiarizado com ele — mas sem nunca insistir ou forçar. Alimentos rejeitados podem ser assustadores para uma criança, por isso ofereça-os em quantidade pequena.
O bebé deixou de comer brócolos? Se hoje há brócolos ao jantar, ponha um pouco no prato — não o encha de brócolos. Não insista para que coma. Os brócolos estarem lá já é suficiente.
Atenção: a sopa é importante pelos nutrientes, mas não conta como exposição ao alimento. O bebé comer brócolos dentro da sopa não o deixa habituado ao brócolos que rejeita a sólido.
Varie bastante — nos alimentos que oferece, na forma como os cozinha, na apresentação no prato, nas cores e nas texturas. Um bebé habituado a ver coisas diferentes no prato tende a aceitar melhor os alimentos novos.
O prato de um bebé deve ter apenas alimentos saudáveis e naturais: vegetais, legumes, fruta, leguminosas, proteína animal, cereais (preferencialmente integrais), boas fontes de gordura e lacticínios (leite de vaca só a partir dos 12 meses). Evite ultraprocessados, açúcar e sal, especialmente nas refeições principais.
Se precisar de ideias para variar as refeições do seu bebé com receitas saudáveis e pensadas por fases, reuni tudo o que uso cá em casa no livro Comida de Bebé: Receitas para crianças, que os pais vão querer comer, disponível na Wook.
Imagine que o jantar é arroz de grelos com frango e o seu filho não tocou no prato. Com a melhor das intenções, prepara-lhe uma massa com molho de tomate ou frita rapidamente umas batatas.
O que a criança percebe é que não precisa de comer o que está à mesa, porque vai ter sempre uma alternativa — mesmo que seja diferente do resto da família. E vai tornar-se cada vez mais difícil o bebé comer grelos. É importante que ele saiba que não há alternativas: aquilo é tudo o que há para comer.
Se pressionadas ou forçadas a comer, a necessidade de autonomia das crianças pode levá-las a resistir ainda mais. Forçar um bebé cria stress à hora das refeições — e esse stress pode durar anos.
Obrigar um bebé ou uma criança a comer sem vontade, mesmo com a melhor das intenções, dá o sinal errado: a mesa e a comida deixam de ser prazerosas e passam a ser fonte de stress. É muito difícil construir uma boa relação com a comida quando somos forçados a comer.
Isto inclui a colher "bem intencionada" depois do bebé virar a cara ou fechar a boca, o aviãozinho, o "só sais quando acabares o prato" e o "se comeres mais um pouco podes ver televisão". Subornar é tão prejudicial como forçar — e mexe com a capacidade natural de auto-regulação do apetite com que o bebé nasce, o que pode trazer problemas de peso mais tarde.
Pode ser assustador ver o seu filho a comer mal várias refeições seguidas. Mas se ele está saudável e bem-disposto, confie nele: ele sabe melhor do que ninguém quanto precisa de comer. Somos a geração do "prato limpo" e do "só sais da mesa quando comeres tudo" — e precisamos de quebrar esse ciclo. A criança não precisa de comer tudo o que está no prato para ser saudável.
Envolver a criança no mundo da comida fora da mesa de jantar também ajuda: deixá-la participar na cozinha, escolher legumes no mercado, ou simplesmente ler histórias sobre comida tornam os alimentos menos assustadores e mais familiares.
É exatamente por isso que escrevi "O Menino que Queria Ser Chef", um livro infantil pensado para aproximar as crianças da cozinha e da comida de forma lúdica, também disponível na Wook.
Para bebés mais pequenos, a rejeição pode estar relacionada com falta de interesse — pode ser altura de variar mais os sabores ou evoluir a textura. Se está com dificuldades na introdução de sólidos, peça ajuda. E se desconfia que o bebé não está a comer por estar doente, ou nota outros sintomas, fale com o pediatra.
Variar as refeições, evitar repetir sempre os mesmos pratos e ter sempre algo novo (mas seguro) para experimentar é mais fácil com as ferramentas certas. A app Comida de Bebé tem mais de 700 receitas, ementas novas todas as semanas, listas de compras automáticas e artigos sobre alimentação infantil — tudo pensado para facilitar o dia a dia à hora das refeições, para o bebé e para toda a família.Perguntas Frequentes Sobre Seletividade Alimentar
Sim. É um comportamento normal do desenvolvimento, especialmente entre 1 e 3 anos, associado à busca de autonomia e à neofobia alimentar (medo de alimentos novos ou diferentes).
Varia de criança para criança. Pode surgir em episódios, como aconteceu cá em casa por volta dos 17 e dos 26 meses, e tende a melhorar com exposição repetida e sem pressão.
Não. Forçar cria stress à volta da comida e pode interferir com a capacidade natural do bebé de regular o apetite. O mais eficaz é continuar a oferecer o alimento, em pequena quantidade, sem insistir.
Continue a oferecer variedade, sem substituir a refeição por alternativas, e mantenha paciência. Se a seletividade for muito extrema ou vier acompanhada de perda de peso, fale com o pediatra.
Satter E. Feeding dynamics: Helping children to eat well. J Pediatr Health Care. 1995;9(4):178–84.
Cerro N, Zeunert S, Simmer KN, Daniels LA. Eating behaviour of children 1.5–3.5 years born preterm: Parents’ perceptions. J Paediatr Child Health. 2002;38(1):72–8.
Comida de bebé
Morada
Ruas da maternidade,
hospital da oliveira,
Lisboa 4900-120