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por
Carolina
Existem três métodos principais de introdução da alimentação complementar:
introdução convencional,
baby-led weaning (BLW),
introdução mista (combinação dos dois).
O baby-led weaning (BLW) tem ganho grande popularidade nos últimos anos e é, atualmente, um dos métodos mais escolhidos pelos pais. Ainda assim, é fundamental reforçar que não existe um método universalmente melhor.
A escolha do método de introdução alimentar deve ser informada, consciente e ajustada à realidade da família. São os pais que alimentam o bebé no dia a dia — e é essencial sentirem-se confiantes, tranquilos e alinhados com a decisão tomada.
Até ao momento, não existe evidência científica suficiente que demonstre que o BLW é superior à introdução alimentar convencional.
Algumas autoridades de saúde, como as do Reino Unido e do Brasil, reconhecem o BLW como uma opção válida para a introdução alimentar. No entanto, outros organismos — como a Academia Americana de Pediatria e o Ministério da Saúde do Canadá — recomendam a introdução de alimentos em texturas macias, seja sob a forma de purés espessos ou finger foods seguros.
O que não é recomendado por nenhum destes órgãos é a introdução alimentar através de caldos ou sopas muito líquidas, uma vez que não promovem a mastigação nem o desenvolvimento oral adequado.
Independentemente do método escolhido, é essencial:
oferecer textura à comida,
incentivar a mastigação,
promover a autonomia do bebé à mesa.
Existe uma janela crítica para o desenvolvimento da mastigação até aos 9 meses, que deve ser aproveitada. Idealmente, nesta fase, o bebé já deverá conseguir comer, pelo menos parcialmente, de forma autónoma.
A introdução convencional baseia-se na oferta de papas e sopas, sendo o bebé alimentado por um adulto.
Contrariamente ao que é frequentemente assumido, a introdução com papas não está associada a menor risco de engasgamento, pelo que esta não deve ser considerada uma vantagem deste método.
Menos sujidade
Para muitos pais, esta é a maior vantagem. Bebés alimentados sujam menos a cadeira, o chão e a roupa.
Refeições mais rápidas
Alimentar um bebé à colher tende a ser mais rápido do que permitir que coma sozinho.
Preparação mais simples
Papas e sopas podem ser feitas em grandes quantidades e congeladas, facilitando a organização.
Possível maior aporte nutricional
Embora a evidência não seja conclusiva, alguns estudos sugerem que bebés alimentados à colher podem ter menor risco de défice de nutrientes como o ferro.
Menor autorregulação do apetite
Quando o bebé é alimentado por um adulto, é mais fácil ultrapassar os sinais de saciedade e promover a sobrealimentação.
Impacto no desenvolvimento oral
A exposição prolongada a alimentos triturados pode dificultar a aceitação de sólidos mais tarde e interferir com o desenvolvimento da mastigação e até da fala.
Maior risco de seletividade alimentar
Quando os alimentos são sempre misturados, o bebé não aprende a reconhecer sabores, cores e texturas individualmente.
Experiência sensorial limitada
O bebé explora menos os alimentos com as mãos, os olhos e a boca, reduzindo a riqueza da experiência alimentar.
Introdução precoce
Por permitir ingestão antes de o bebé apresentar sinais de prontidão, este método continua a ser, por vezes, iniciado entre os 4 e os 6 meses — apesar das recomendações atuais apontarem para os 6 meses.
O BLW vai muito além de oferecer alimentos em pedaços. Na sua essência está o comer em conjunto, à mesma mesa, com o bebé a assumir um papel ativo na sua alimentação.
Experiência sensorial rica
O bebé toca, explora, cheira e leva os alimentos à boca, promovendo aprendizagem ativa.
Conhecimento dos alimentos
Os alimentos são oferecidos separadamente, permitindo reconhecer sabor, textura e aparência desde cedo.
Desenvolvimento oro-facial
A mastigação é estimulada desde o início.
Autonomia e independência
O bebé decide o que comer e em que quantidade.
Melhor regulação do apetite
Os sinais de fome e saciedade tendem a ser mais claros quando o bebé come sozinho.
Integração nas refeições familiares
O bebé come o mesmo que a família, com adaptações, reduzindo o planeamento de refeições.
Mais sujidade
É comum haver comida no chão, na roupa e na cadeira.
Maior desperdício alimentar
Parte significativa da comida não é ingerida.
Risco de menor aporte nutricional
Estudos referem preocupação com ingestão adequada de ferro e zinco, sobretudo se não houver planeamento.
Pressão social e familiar
Comentários, dúvidas e receios de terceiros são frequentes.
Reflexo de gag mais frequente
O reflexo de engasgamento é normal e esperado, mas pode ser angustiante para os pais, especialmente no início.
O objetivo deste artigo não é definir um método como superior, mas sim comparar opções de forma informada.
A introdução alimentar não tem de ser tudo ou nada. Muitos bebés beneficiam de uma abordagem mista, combinando:
papas ou purés com textura,
finger foods seguros,
refeições em família,
autonomia progressiva,
sem forçar, distrair ou pressionar.
A melhor escolha será sempre aquela que:
respeita o desenvolvimento do bebé,
segue recomendações atualizadas,
se adapta à realidade da família.
Fontes:
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Lisboa 4900-120