Carrinho de compras
o seu carrinho está vazio
Continuar a comprar


por
Carolina
O açúcar está em quase tudo — especialmente em alimentos industrializados dirigidos a bebés e crianças — e é irrealista pensar que uma criança vai crescer “sem nunca” comer açúcar. Ainda assim, há um ponto em que várias entidades de saúde concordam: quanto mais cedo reduzimos a exposição a açúcares livres/adicionados, melhor — sobretudo antes dos 2 anos.
Este artigo está dividido em:
Açúcar e paladar: o que sabemos (e o que não sabemos)
Não é só “paladar”: dentes, apetite e saúde
Depois dos 2 anos: limites e equilíbrio
Açúcar escondido: como ler rótulos
Alternativas sem açúcar (antes e depois dos 2 anos)
Como lidar com família, festas e creche
Se quiser aprofundar como o açúcar influencia as preferências alimentares desde cedo, leia também o artigo sobre o impacto do açúcar no desenvolvimento do paladar do bebé.
É importante distinguir:
Açúcares naturalmente presentes: por exemplo, a frutose na fruta intacta e a lactose no leite/derivados sem açúcar adicionado.
Açúcares livres/adicionados: açúcar adicionado (sacarose, glucose, etc.) e também açúcar que está “livre” porque vem de sumos, concentrados, purés/compotas usados para adoçar, mel, xaropes, etc.
Muitos rótulos não dizem “açúcar” de forma óbvia — e, na Europa, nem sempre é simples identificar “açúcares livres” só pela tabela nutricional.
Os bebés nascem com preferência inata pelo sabor doce. Isso é normal e faz parte do desenvolvimento.
O que se discute é até que ponto a exposição frequente a sabores muito doces (sobretudo através de ultraprocessados e bebidas doces) pode reforçar preferências e tornar mais difícil aceitar sabores menos doces (como vegetais, iogurte natural, etc.). A evidência aqui não é “preto no branco”: há estudos a sugerir impacto das experiências iniciais, mas também há investigação recente que não encontra diferenças relevantes no padrão de preferências mais tarde apenas por exposição curta a sabores doces no início da alimentação complementar.
Conclusão prática (sem dramatizar): não é por uma prova ocasional que “estragas” o paladar — o que pesa é a frequência e o contexto. E por isso faz sentido manter o quotidiano com alimentos pouco doces e ricos em nutrientes, especialmente até aos 2 anos.
A relação entre açúcares livres e cáries dentárias é uma das mais consistentes na literatura. A OMS recomenda reduzir “açúcares livres” e reforça a ligação com cáries; também refere que crianças <2 anos não devem consumir bebidas açucaradas.
Quando falamos de risco de excesso de peso, a evidência é especialmente forte para bebidas açucaradas (incluindo algumas “bebidas lácteas” e “sumos”). Revisões sistemáticas e relatórios de avaliação de evidência associam o consumo de bebidas açucaradas a piores padrões de crescimento/composição corporal e maior risco de obesidade.
O estômago do bebé é pequeno. Se uma parte importante do dia alimentar é preenchida por produtos muito doces e pobres em nutrientes (bolachas, sobremesas, papas muito adoçadas, bebidas doces), sobra menos apetite e menos “espaço” para alimentos essenciais (ferro, proteína, gorduras de qualidade, legumes, fruta inteira). Isto é uma preocupação frequente em recomendações de alimentação infantil.
DGS/PNPAS (0–6 anos): recomenda evitar alimentos processados e com adição de açúcar (ex.: sumos, sobremesas, bolos, doces), com indicação clara de que açúcar e sal não devem fazer parte da alimentação no primeiro ano.
ESPGHAN (alimentação complementar): “não adicionar açúcar” à alimentação complementar e evitar sumos e bebidas açucaradas.
OMS/WHO: recomenda reduzir açúcares livres (idealmente <5% da energia) e liga fortemente a redução a benefícios para cáries e peso; reforça a recomendação de evitar bebidas açucaradas em <2 anos.
American Heart Association: recomenda que crianças >2 anos consumam ≤25 g/dia de açúcares adicionados; para <2 anos, a orientação é evitar ao máximo a exposição a açúcares adicionados.
Evitar açúcar antes dos 2 anos não significa que, aos 2 anos, “está liberado”.
Uma referência frequentemente citada é a da American Heart Association, que aponta para um limite diário de 25 g de açúcar adicionado (≈6 colheres de chá) para crianças. Na prática, isto pode ser atingido facilmente com uma bebida doce + 1 lanche industrializado.
O objetivo depois dos 2 anos é:
manter o consumo de açúcar ocasional
não fazer do doce a “base do lanche”
evitar bebidas açucaradas como rotina
garantir que o dia-a-dia em casa é nutritivo (e o “extra” acontece em momentos sociais)
Proibir e criar um ambiente de medo/culpa não ajuda. Melhor: educar, normalizar ocasiões especiais e manter rotina saudável.
O açúcar pode aparecer com muitos nomes. Alguns comuns:
sacarose
glucose/glicose
xarope de glucose / xarope de milho
dextrose
maltodextrina
açúcar invertido
frutose
concentrado de sumo de fruta
Dois pontos-chave:
Os ingredientes vêm por ordem de quantidade — se aparece nos primeiros, está lá “a sério”.
“Sem açúcar adicionado” não significa necessariamente “sem açúcares livres” (por exemplo, quando há concentrados/sumos usados para adoçar).
Ideias práticas (lanche/snack/pequeno-almoço):
fruta inteira (em pedaços/cortes seguros) e/ou iogurte natural sem açúcar
papas caseiras de aveia, millet, trigo sarraceno, etc. (com fruta inteira esmagada, canela, manteiga de frutos secos — se já introduzida)
legumes como snack (pepino, tomate cereja bem maduro em cortes seguros, cenoura bem cozida, etc.)
água como bebida (evitar sumos, mesmo “naturais”)
Nota importante sobre mel: não oferecer antes dos 24 meses por risco de botulismo; depois de 1 ano continua a ser “açúcar” (usar raramente).
Podes continuar a usar quase tudo da lista anterior e, ocasionalmente:
usar fruta para adoçar receitas caseiras
preferir sobremesas caseiras simples, com porções pequenas
ensinar que doces são para momentos específicos, não para “matar a fome”
Sobre “açúcares alternativos” (mascavado, coco, ácer, tâmaras, agave): continuam a ser açúcares livres e calóricos — a diferença não é “saudável vs não saudável”, é quantidade e frequência.
Família e amigos
explicar o “porquê” em 1 frase: “Estamos a evitar açúcar antes dos 2 anos por dentes e hábitos.”
pedir uma regra simples: “não oferecer nada sem perguntar”
levar alternativas fáceis (fruta, iogurte natural, muffins caseiros sem açúcar adicionado)
Creche
perguntar o que está incluído nos lanches/sobremesas
sugerir trocas concretas (ex.: fruta + iogurte natural; pão + queijo/abacate; água em vez de bebida doce)
se existir abertura, levar lista curta de “opções ok”
Nota final (importante)
Fazemos o melhor com a nossa realidade. Este artigo não é para culpar — é para informar e facilitar escolhas.
Fontes:
Comida de bebé
Morada
Ruas da maternidade,
hospital da oliveira,
Lisboa 4900-120