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Porque não oferecer açúcar ao bebé (e o que fazer antes dos 2 anos)
Porque não oferecer açúcar ao bebé (e o que fazer antes dos 2 anos)

por 

Carolina

Porque não oferecer açúcar ao bebé (e o que fazer antes dos 2 anos)
O açúcar está em quase tudo que comemos, mas é muito importante não oferecer açúcar nos primeiros 2 anos de vida do bebé.
Segurança & Saúde
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O açúcar está em quase tudo — especialmente em alimentos industrializados dirigidos a bebés e crianças — e é irrealista pensar que uma criança vai crescer “sem nunca” comer açúcar. Ainda assim, há um ponto em que várias entidades de saúde concordam: quanto mais cedo reduzimos a exposição a açúcares livres/adicionados, melhor — sobretudo antes dos 2 anos

Este artigo está dividido em:

  • Açúcar e paladar: o que sabemos (e o que não sabemos)

  • Não é só “paladar”: dentes, apetite e saúde

  • Depois dos 2 anos: limites e equilíbrio

  • Açúcar escondido: como ler rótulos

  • Alternativas sem açúcar (antes e depois dos 2 anos)

  • Como lidar com família, festas e creche


Se quiser aprofundar como o açúcar influencia as preferências alimentares desde cedo, leia também o artigo sobre o impacto do açúcar no desenvolvimento do paladar do bebé.


O que é “açúcar” neste contexto?

É importante distinguir:

  • Açúcares naturalmente presentes: por exemplo, a frutose na fruta intacta e a lactose no leite/derivados sem açúcar adicionado.

  • Açúcares livres/adicionados: açúcar adicionado (sacarose, glucose, etc.) e também açúcar que está “livre” porque vem de sumosconcentradospurés/compotas usados para adoçar, mel, xaropes, etc.


Muitos rótulos não dizem “açúcar” de forma óbvia — e, na Europa, nem sempre é simples identificar “açúcares livres” só pela tabela nutricional. 


1) Açúcar e paladar do bebé: o que a evidência sugere

Os bebés nascem com preferência inata pelo sabor doce. Isso é normal e faz parte do desenvolvimento. 

O que se discute é até que ponto a exposição frequente a sabores muito doces (sobretudo através de ultraprocessados e bebidas doces) pode reforçar preferências e tornar mais difícil aceitar sabores menos doces (como vegetais, iogurte natural, etc.). A evidência aqui não é “preto no branco”: há estudos a sugerir impacto das experiências iniciais, mas também há investigação recente que não encontra diferenças relevantes no padrão de preferências mais tarde apenas por exposição curta a sabores doces no início da alimentação complementar. 

Conclusão prática (sem dramatizar): não é por uma prova ocasional que “estragas” o paladar — o que pesa é a frequência e o contexto. E por isso faz sentido manter o quotidiano com alimentos pouco doces e ricos em nutrientes, especialmente até aos 2 anos.


2) Não é só paladar: porque evitar açúcar antes dos 2 anos faz diferença

a) Saúde oral (cáries)

A relação entre açúcares livres e cáries dentárias é uma das mais consistentes na literatura. A OMS recomenda reduzir “açúcares livres” e reforça a ligação com cáries; também refere que crianças <2 anos não devem consumir bebidas açucaradas


b) Bebidas açucaradas e risco de excesso de peso

Quando falamos de risco de excesso de peso, a evidência é especialmente forte para bebidas açucaradas (incluindo algumas “bebidas lácteas” e “sumos”). Revisões sistemáticas e relatórios de avaliação de evidência associam o consumo de bebidas açucaradas a piores padrões de crescimento/composição corporal e maior risco de obesidade. 


c) “Calorias vazias” num estômago pequenino

O estômago do bebé é pequeno. Se uma parte importante do dia alimentar é preenchida por produtos muito doces e pobres em nutrientes (bolachas, sobremesas, papas muito adoçadas, bebidas doces), sobra menos apetite e menos “espaço” para alimentos essenciais (ferro, proteína, gorduras de qualidade, legumes, fruta inteira). Isto é uma preocupação frequente em recomendações de alimentação infantil. 


3) O que dizem entidades de saúde (em linguagem simples)

  • DGS/PNPAS (0–6 anos): recomenda evitar alimentos processados e com adição de açúcar (ex.: sumos, sobremesas, bolos, doces), com indicação clara de que açúcar e sal não devem fazer parte da alimentação no primeiro ano. 

  • ESPGHAN (alimentação complementar): “não adicionar açúcar” à alimentação complementar e evitar sumos e bebidas açucaradas. 

  • OMS/WHO: recomenda reduzir açúcares livres (idealmente <5% da energia) e liga fortemente a redução a benefícios para cáries e peso; reforça a recomendação de evitar bebidas açucaradas em <2 anos. 

  • American Heart Association: recomenda que crianças >2 anos consumam ≤25 g/dia de açúcares adicionados; para <2 anos, a orientação é evitar ao máximo a exposição a açúcares adicionados. 


4) E depois dos 2 anos?

Evitar açúcar antes dos 2 anos não significa que, aos 2 anos, “está liberado”.

Uma referência frequentemente citada é a da American Heart Association, que aponta para um limite diário de 25 g de açúcar adicionado (≈6 colheres de chá) para crianças. Na prática, isto pode ser atingido facilmente com uma bebida doce + 1 lanche industrializado. 

O objetivo depois dos 2 anos é:

  • manter o consumo de açúcar ocasional

  • não fazer do doce a “base do lanche”

  • evitar bebidas açucaradas como rotina

  • garantir que o dia-a-dia em casa é nutritivo (e o “extra” acontece em momentos sociais)


Proibir e criar um ambiente de medo/culpa não ajuda. Melhor: educar, normalizar ocasiões especiais e manter rotina saudável.


5) Açúcar escondido nos alimentos industrializados

O açúcar pode aparecer com muitos nomes. Alguns comuns:

  • sacarose

  • glucose/glicose

  • xarope de glucose / xarope de milho

  • dextrose

  • maltodextrina

  • açúcar invertido

  • frutose

  • concentrado de sumo de fruta

Dois pontos-chave:

  1. Os ingredientes vêm por ordem de quantidade — se aparece nos primeiros, está lá “a sério”.

  2. Sem açúcar adicionado” não significa necessariamente “sem açúcares livres” (por exemplo, quando há concentrados/sumos usados para adoçar). 


6) Alternativas sem açúcar antes dos 2 anos

Ideias práticas (lanche/snack/pequeno-almoço):

  • fruta inteira (em pedaços/cortes seguros) e/ou iogurte natural sem açúcar

  • papas caseiras de aveia, millet, trigo sarraceno, etc. (com fruta inteira esmagada, canela, manteiga de frutos secos — se já introduzida)

  • legumes como snack (pepino, tomate cereja bem maduro em cortes seguros, cenoura bem cozida, etc.)

  • água como bebida (evitar sumos, mesmo “naturais”)

Nota importante sobre mel: não oferecer antes dos 24 meses por risco de botulismo; depois de 1 ano continua a ser “açúcar” (usar raramente). 


7) Alternativas “mais doces” depois dos 2 anos (com critério)

Podes continuar a usar quase tudo da lista anterior e, ocasionalmente:

  • usar fruta para adoçar receitas caseiras

  • preferir sobremesas caseiras simples, com porções pequenas

  • ensinar que doces são para momentos específicos, não para “matar a fome”

Sobre “açúcares alternativos” (mascavado, coco, ácer, tâmaras, agave): continuam a ser açúcares livres e calóricos — a diferença não é “saudável vs não saudável”, é quantidade e frequência


8) Como lidar com terceiros (família, festas e creche)

Família e amigos

  • explicar o “porquê” em 1 frase: “Estamos a evitar açúcar antes dos 2 anos por dentes e hábitos.”

  • pedir uma regra simples: “não oferecer nada sem perguntar”

  • levar alternativas fáceis (fruta, iogurte natural, muffins caseiros sem açúcar adicionado)

Creche

  • perguntar o que está incluído nos lanches/sobremesas

  • sugerir trocas concretas (ex.: fruta + iogurte natural; pão + queijo/abacate; água em vez de bebida doce)

  • se existir abertura, levar lista curta de “opções ok”


Nota final (importante)
Fazemos o melhor com a nossa realidade. Este artigo não é para culpar — é para informar e facilitar escolhas.

Fontes:

  1. Dietary Guidelines Advisory Committee

  2. American Heart Association

  3. DGS

  4. 1000 days

  5. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos

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