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por
Carolina
O engasgamento é, de longe, o maior medo de mães e pais durante a introdução alimentar e uma das principais razões pelas quais muitas famílias optam por não avançar com o baby-led weaning (BLW). É também um dos motivos mais frequentes para adiar a evolução das texturas, mantendo os bebés em purés durante mais tempo do que o recomendado.
No entanto, é fundamental esclarecer desde já um ponto importante: o risco de engasgamento não está no método BLW, mas sim na forma, textura e corte dos alimentos oferecidos ao bebé.
Neste artigo explicamos como adaptar os cortes dos alimentos ao desenvolvimento do bebé, quais os alimentos que representam maior risco de engasgamento e como reduzi-lo de forma prática e segura.
Tempo de leitura estimado: 10–12 minutos
Antes de falarmos em alimentos proibidos, é importante saber que um bebé pode engasgar-se com qualquer alimento, sólido ou líquido — incluindo leite materno ou fórmula oferecida no biberão.
Não existe evidência científica de que alimentos sólidos representem maior risco de engasgamento do que alimentos líquidos. Pelo contrário, um estudo concluiu que bebés que seguem uma abordagem tradicional de introdução alimentar apresentam mais episódios de asfixia com finger foods e purés com grumos do que bebés que seguem BLW.
O que aumenta de forma significativa o risco de engasgamento não é o BLW, mas sim:
oferecer alimentos na textura errada
no formato inadequado
ou desajustados à fase de desenvolvimento do bebé
Alguns alimentos estão no topo da lista das causas de engasgamento em bebés e crianças (alguns até aos 5 anos de idade). Estes alimentos partilham uma ou mais das seguintes características:
Formato redondo
Textura firme
Superfície escorregadia
Capacidade de aglomerar e formar uma massa na boca
Quanto mais redondo, duro e escorregadio for um alimento, maior o risco de engasgamento. A boa notícia é que este risco pode ser significativamente reduzido ao modificar o corte ou a textura.
Alimentos redondos, como:
uvas
tomate cherry
mirtilos
framboesas
amoras
morangos pequenos
leguminosas
ervilhas frescas
passas
salsichas
quando engolidos inteiros podem bloquear as vias aéreas e causar engasgamento.
Cortar ao comprido e em 4 ou mais pedaços (uvas, tomate cherry, salsichas)
Esmagar com um garfo ou entre os dedos (mirtilos, leguminosas)
Estes cortes pequenos só devem ser oferecidos quando o bebé já desenvolveu a pinça fina, geralmente a partir dos 9 meses.
Leguminosas e ervilhas frescas: podem ser oferecidas desde os 6 meses, desde que estejam bem cozidas e esmagadas até aos 12 meses.
Mirtilos: no início, escolher mirtilos maiores e esmagá-los entre os dedos. Quando o bebé desenvolve a pinça fina, podem ser cortados em vários pedaços.
O mesmo se aplica a framboesas e amoras.
Um teste simples e eficaz:
Se não consegue esmagar o alimento entre as pontas dos dedos, o seu bebé também não vai conseguir.
Alimentos firmes representam um risco elevado de engasgamento porque o bebé pode morder um pedaço suficientemente grande para ficar alojado nas vias respiratórias.
Maçã crua (mesmo madura)
Pêra pouco madura
Vegetais crus
Frutos secos inteiros (até aos 5 anos)
Frutas e vegetais devem ser bem cozidos e macios
Frutos secos devem ser oferecidos sob a forma de:
manteigas
farinhas
triturados para panar alimentos
A manteiga de frutos secos nunca deve ser oferecida pura, pois pode formar uma massa espessa e bloquear as vias respiratórias. Deve ser sempre barrada ou misturada em papas e preparações.
Alimentos escorregadios podem ser sugados pelo bebé e entrar inteiros na garganta, como:
manga
salsichas
pedaços grandes de carne, frango ou camarão
Oferecer manga bem madura, sem fios
Manter a casca num dos lados
Panar em linhaça moída, farinha de aveia ou frutos secos triturados, retirando a característica escorregadia
O corte dos alimentos deve respeitar sempre a fase de desenvolvimento motor do bebé, e não apenas a idade cronológica.
Início da introdução alimentar: o bebé agarra os alimentos com a mão inteira (palma).
Fase intermédia: começa a usar os dedos, mas ainda sem pinça fina.
A partir dos ~9 meses: desenvolve a pinça fina (polegar e indicador).
O bebé consegue manipular na boca os alimentos que consegue manipular com a mão.
Se não consegue agarrar um quarto de uva com a mão, não consegue trabalhá-lo de forma segura na boca.
Antes da pinça fina: alimentos grandes, macios, em tiras ou palitos, com comprimento aproximado ao punho do bebé
Depois da pinça fina: pedaços mais pequenos
Não é necessário medir os alimentos com uma régua. O mais importante é que sejam:
macios
fáceis de esmagar entre a língua e o céu da boca
ajustados ao bebé em concreto
Como o bebé agarra os alimentos:
Mão inteira (palma)
Movimento ainda impreciso
Regra de ouro:
Alimentos grandes, macios e em formato de palito, com comprimento aproximado ao punho do bebé.
Exemplos de cortes seguros:
Abacate em fatias grossas
Banana partida ao meio (pode deixar parte da casca)
Batata-doce, cenoura ou abóbora bem cozidas, em palitos
Brócolos ou couve-flor bem cozidos (florete + talo)

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Como o bebé agarra os alimentos:
Continua a usar a palma
Começa a usar os dedos com mais controlo
Regra de ouro:
Mantêm-se alimentos grandes e macios, com maior variedade de texturas.
Exemplos de cortes seguros:
Manga madura em fatias largas (pode ser panada em farinha de aveia ou linhaça)
Curgete ou beringela bem cozida em palitos
Omelete simples em tiras largas
Panquecas ou waffles macios cortados em tiras
Evolução das texturas na introdução alimentar: quando e como avançar
Como o bebé agarra os alimentos:
Pinça fina (polegar + indicador)
Regra de ouro:
Só nesta fase se introduzem pedaços pequenos, sempre macios.
Exemplos de cortes seguros:
Uvas cortadas ao comprido e em 4 ou mais partes
Tomate cherry cortado em quartos ou oitavos
Leguminosas bem cozidas e esmagadas
Carne e peixe desfiados
Massa pequena bem cozida

Continue a ler: Alimentos de risco de engasgamento - o que evitar e como adaptar
Nunca oferecer inteiros
Cortar ao comprido ou esmagar
Pedaços pequenos apenas após pinça fina
Teste dos dedos: se não esmaga entre os dedos, o bebé também não consegue.
Frutas e vegetais devem ser cozidos e macios
Frutos secos apenas em manteiga, farinha ou triturados
A manteiga de frutos secos nunca deve ser oferecida pura (usar barrada ou misturada)
Oferecer manga bem madura e sem fios
Manter a casca num dos lados
Panar em aveia, linhaça ou frutos secos moídos
Tiras no sentido contrário dos nervos
1–2 dedos de largura
Carne macia e bem cozinhada (ex.: lombo)
Sem pedaços soltos de gordura ou nervos
Alternativas seguras:
Hambúrgueres de carne
Tiras de bife grelhado (cortado contra as fibras)
Após o desenvolvimento da pinça fina, pode oferecer carne desfiada.
Como preparar carne desfiada macia para bebés
Perna de frango no osso, sem pele, sem cartilagem e bem cozida
Alternativas: almôndegas ou mini-hambúrgueres
Após pinça fina: frango desfiado.
O bebé chucha a carne sem conseguir retirar pedaços — que são precisamente os que representam maior risco de engasgamento.
Alternativas:
Mini-hambúrgueres
Almôndegas
Tiras de peito de frango grelhado (cortado contra as fibras)
Após a pinça fina: frango desfiado em pedaços pequenos.
Tiras largas, bem cozidas e sem espinhas
Alternativas:
pataniscas
croquetes
hambúrgueres de peixe
Após a pinça fina: peixe desfiado.
No BLW, a segurança não passa por evitar alimentos, mas por adaptá-los corretamente ao desenvolvimento do bebé.
Quando respeitamos textura, formato e fase motora, o risco de engasgamento diminui significativamente — e a introdução alimentar torna-se uma experiência mais tranquila e confiante para toda a família.
As recomendações sobre prevenção do engasgamento em crianças estão alinhadas com as orientações da American Academy of Pediatrics sobre segurança alimentar infantil.
1) Brown A. 2018. No difference in self‐reported frequency of choking between infants introduced to solid foods using a baby‐led weaning or traditional spoon‐feeding approach. J Hum NutrDiet. 31, 496–504.
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